<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#" xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/"
	>

<channel>
	<title>condutor alternativo</title>
	<atom:link href="http://condutoralternativo.wordpress.com/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://condutoralternativo.wordpress.com</link>
	<description>Filipe Miranda / pequenos textos</description>
	<lastBuildDate>Fri, 04 Nov 2011 19:42:07 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.com/</generator>
<cloud domain='condutoralternativo.wordpress.com' port='80' path='/?rsscloud=notify' registerProcedure='' protocol='http-post' />
<image>
		<url>http://s2.wp.com/i/buttonw-com.png</url>
		<title>condutor alternativo</title>
		<link>http://condutoralternativo.wordpress.com</link>
	</image>
	<atom:link rel="search" type="application/opensearchdescription+xml" href="http://condutoralternativo.wordpress.com/osd.xml" title="condutor alternativo" />
	<atom:link rel='hub' href='http://condutoralternativo.wordpress.com/?pushpress=hub'/>
		<item>
		<title>9. Vénus de Milo / Beleza</title>
		<link>http://condutoralternativo.wordpress.com/2011/11/04/9-venus-de-milo-beleza/</link>
		<comments>http://condutoralternativo.wordpress.com/2011/11/04/9-venus-de-milo-beleza/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 04 Nov 2011 19:33:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://condutoralternativo.wordpress.com/?p=188</guid>
		<description><![CDATA[Vénus de Milo Para quem mora neste pedaço de mundo ocidental, Afrodite é a deusa do Amor. A estátua que a melhor representa, junto de nós , ficou o nome de Vénus de Milo. Reproduzida milhões de vezes em quadrinhos ou em estatuetas de lojas de decoração, em mármore, granito, plástico, madeira ou cera, é-nos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=condutoralternativo.wordpress.com&amp;blog=5385873&amp;post=188&amp;subd=condutoralternativo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-189" title="vénus de milo" src="http://condutoralternativo.files.wordpress.com/2011/11/venus-de-milo.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Vénus de Milo</strong><br />
Para quem mora neste pedaço de mundo ocidental, Afrodite é a deusa do Amor. A estátua que a melhor representa, junto de nós , ficou o nome de Vénus de Milo. Reproduzida milhões de vezes em quadrinhos ou em estatuetas de lojas de decoração, em mármore, granito, plástico, madeira ou cera, é-nos tão familiar quanto uma mola de roupa.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Beleza</strong><br />
Existe algo implícito que foi construindo em nós um conceito de beleza ao longo dos anos. Algumas formas ou manifestações artísticas representam essa beleza de que falo, esse conceito. Ele vive em nós, cá dentro, mesmo que não o consigamos distinguir ou dele falar, quer seja porque nunca pensámos nisso ou apenas porque não são coisas que nos interessem. Algo &#8220;jungiano&#8221;, esse conceito instalou-se tácita e sorrateiramente e, uma dessas manifestações no povo, é a da Vénus de Milo. Vou agora contar uma coisa, em duas partes:<br />
Primeira parte &#8211; Há uns anos, andava a pintar umas imagens de mulheres para uma série de quadros que estava a preparar. Num dos estudos que fazia, à base da linha pura, concentrei-me na expressão da cara do meu modelo, no cair do pescoço, na forma como o vestido se desenhava pelo corpo. Negligenciei um dos braços, o estudo ficou como uma boa imagem, algo que me agradava bastante. Ao passar para a tela, achei que não deveria pintar um dos braços e manter a imagem igual ao que era no estudo. Algo ali me dizia &#8220;beleza&#8221;.  Usei a imagem em mais desenhos, numa montagem digital, num flyer/catálogo de exposição, no tal quadro que falo e até como capa de um disco que editei em 2008. A Vénus de Milo está aqui, produto de um subconsciente colectivo e só o notei tardiamente.<br />
Segunda parte &#8211; Há uns anos, estava eu a entrar num café da marginal, perto de sítio onde vivo actualmente, quando sou confrontado com uma mudança de visual do pequeno espaço. Numa das paredes do café, um quadro enorme toma conta do plano. Abstracto, mecânico, indecifrável e sedutor (confesso que vou a este café, muito por causa deste quadro). Não sei quem o pintou, mas quando o vi algo me disse &#8220;beleza&#8221;. Que enigmática esta sensação. Há uns meses, descobri o porquê desse quadro falar comigo. Olhando com atenção, podemos ver lá os traços da Vénus de Milo. Quando me dei conta disso, ri-me para comigo e pensei o quanto as imagens vivem dentro das nossas cabeças que, por vezes, todas juntas, dão uma só cabeça.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Filipe Miranda</em><br />
<em>2011</em></p>
<p style="text-align:justify;">
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/condutoralternativo.wordpress.com/188/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/condutoralternativo.wordpress.com/188/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/condutoralternativo.wordpress.com/188/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/condutoralternativo.wordpress.com/188/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/condutoralternativo.wordpress.com/188/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/condutoralternativo.wordpress.com/188/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/condutoralternativo.wordpress.com/188/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/condutoralternativo.wordpress.com/188/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/condutoralternativo.wordpress.com/188/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/condutoralternativo.wordpress.com/188/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/condutoralternativo.wordpress.com/188/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/condutoralternativo.wordpress.com/188/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/condutoralternativo.wordpress.com/188/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/condutoralternativo.wordpress.com/188/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=condutoralternativo.wordpress.com&amp;blog=5385873&amp;post=188&amp;subd=condutoralternativo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://condutoralternativo.wordpress.com/2011/11/04/9-venus-de-milo-beleza/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/153fde927b12b1ba4df5a70d02517219?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">admin</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://condutoralternativo.files.wordpress.com/2011/11/venus-de-milo.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">vénus de milo</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>8. João M. Salles / Santiago</title>
		<link>http://condutoralternativo.wordpress.com/2010/10/09/8-joao-m-salles-santiago/</link>
		<comments>http://condutoralternativo.wordpress.com/2010/10/09/8-joao-m-salles-santiago/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 09 Oct 2010 18:27:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://condutoralternativo.wordpress.com/?p=181</guid>
		<description><![CDATA[João Moreira Salles Pela primeira vez neste blog, faço uma referência ao cinema. O cinema documental. Não fazia ideia quem era o brasileiro João Salles até ter visto, por coincidência, um documentário feito por ele. Um maravilhoso documentário: &#8220;Santiago&#8220;. Santiago Badariotti Merlo Fui apanhado de surpresa&#8230; pleno de crueza, realidade e busca da verdade esta [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=condutoralternativo.wordpress.com&amp;blog=5385873&amp;post=181&amp;subd=condutoralternativo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://condutoralternativo.files.wordpress.com/2010/10/santiago.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-182" title="santiago" src="http://condutoralternativo.files.wordpress.com/2010/10/santiago.jpg?w=500" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>João Moreira Salles</strong><br />
Pela primeira vez neste blog, faço uma referência ao cinema. O cinema documental. Não fazia ideia quem era o brasileiro João Salles até ter visto, por coincidência, um documentário feito por ele. Um maravilhoso documentário: &#8220;<em>Santiago</em>&#8220;.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Santiago Badariotti Merlo</strong><br />
Fui apanhado de surpresa&#8230; pleno de crueza, realidade e busca da verdade esta é, sem dúvida, uma peça a ver. E a ver, não só pela perspectiva dos amantes do cinema (algo que eu até nem sou), mas especialmente pela dimensão humana que o documentário transmite. Santiago é um homem&#8230; Joãozinho é um homem&#8230;<br />
Não vou escrever sobre a obra, mas sim deixar um texto que li no site da Globo e que penso que resume bastante daquilo que o filme transmite.</p>
<p>&#8220;<em>As imagens que colheu em 1993 do antigo mordomo de sua família, Santiago Badariotti Merlo (1912-1994), ficaram guardadas, enquanto o cineasta realizava outros filmes (&#8220;Notícias de uma guerra particular&#8221;, &#8220;Nelson Freire&#8221; e &#8220;Entreatos&#8221;).</em><em><br />
Para superar o desafio de terminar &#8220;Santiago&#8221;, o cineasta confrontou-se com os próprios erros na primeira tentativa. Erros que ele confessa abertamente, por meio da narração em off lida por seu irmão, Fernando Moreira Salles, como os excessos de controle que o impediram de capturar a essência do personagem.</em><br />
<em>Com rara honestidade, João revela seus momentos de verdadeira tirania contra Santiago durante a filmagem. Vêem-se imagens do diretor mandando-o repetir incansavelmente algumas frases, comandando todos os seus gestos.</em> / <em>Ainda assim, consegue mostrar o quanto era especial esse mordomo argentino de origem espanhola. Homem culto e viajado, costumava rezar em latim e vestia fraque para tocar Beethoven ao piano. Nas horas vagas do serviço na mansão dos Moreira Salles, na Gávea, dedicava-se a uma obsessiva pesquisa sobre as aristocracias de todo o mundo.</em> /<em> Poliglota, ele anotava nas seis línguas que conhecia os detalhes sobre as dinastias, como amores frustrados, assassinatos e complôs. Tudo isso entrou para um dossiê que alcançou 30 mil páginas cuidadosamente datilografadas e foi deixado em testamento para João Moreira Salles.</em><em> / Entre os aristocratas históricos, Santiago tinha como preferidos os Médicis de Florença, além de uma simpatia especial por Lucrécia Bórgia, que julgava injustiçada pela fama de sanguinária que a acompanha nos livros de história.</em><br />
<em>Busca da identidade</em>:<em> Num certo momento, Santiago mostra vontade de confessar algo a João, mas ele o corta. O mistério permanecerá indecifrado. Como admite o cineasta, ele nunca foi capaz de romper a relação entre patrão e empregado que contaminou também a filmagem e impediu que se aprofundasse o retrato do ex-mordomo.</em><br />
<em>O filme, afinal, reflete uma procura de identidade do próprio cineasta e nesse sentido é que a obra cresce em importância.</em><em> / O detalhe de que a narração é lida não pelo cineasta, mas por seu irmão, introduz uma discussão sobre verdade e mentira, realidade e encenação (&#8230;)</em>&#8221; &#8211; in Globo.com</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Filipe Miranda<br />
2010</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/condutoralternativo.wordpress.com/181/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/condutoralternativo.wordpress.com/181/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/condutoralternativo.wordpress.com/181/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/condutoralternativo.wordpress.com/181/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/condutoralternativo.wordpress.com/181/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/condutoralternativo.wordpress.com/181/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/condutoralternativo.wordpress.com/181/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/condutoralternativo.wordpress.com/181/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/condutoralternativo.wordpress.com/181/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/condutoralternativo.wordpress.com/181/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/condutoralternativo.wordpress.com/181/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/condutoralternativo.wordpress.com/181/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/condutoralternativo.wordpress.com/181/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/condutoralternativo.wordpress.com/181/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=condutoralternativo.wordpress.com&amp;blog=5385873&amp;post=181&amp;subd=condutoralternativo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://condutoralternativo.wordpress.com/2010/10/09/8-joao-m-salles-santiago/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/153fde927b12b1ba4df5a70d02517219?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">admin</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://condutoralternativo.files.wordpress.com/2010/10/santiago.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">santiago</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>7. Álvaro Lapa / Individualidade</title>
		<link>http://condutoralternativo.wordpress.com/2010/05/15/7-alvaro-lapa-individualidade/</link>
		<comments>http://condutoralternativo.wordpress.com/2010/05/15/7-alvaro-lapa-individualidade/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 15 May 2010 23:47:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://condutoralternativo.wordpress.com/?p=176</guid>
		<description><![CDATA[Álvaro Lapa Há artistas que são bastante singulares, intrigantes, que nos fazem coçar a barba. É o caso de Álvaro Lapa. Conheci a obra de Álvaro Lapa há coisa de 10 anos atrás, andava eu na demanda da arte portuguesa (um college boy obstinado e feliz), guiado por uma imensa vontade que se misturava com [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=condutoralternativo.wordpress.com&amp;blog=5385873&amp;post=176&amp;subd=condutoralternativo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-177" title="lapa" src="http://condutoralternativo.files.wordpress.com/2010/05/lapa.jpg?w=500" alt=""   /></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Álvaro Lapa</strong><br />
Há artistas que são bastante singulares, intrigantes, que nos fazem coçar a barba. É o caso de Álvaro Lapa. Conheci a obra de Álvaro Lapa há coisa de 10 anos atrás, andava eu na demanda da arte portuguesa (um college boy obstinado e feliz), guiado por uma imensa vontade que se misturava com a culpa de não ser consciente na nossa obra e artistas mais contemporâneos. Comecei a coleccionar imagens do homem e nem sequer tentei conhecer a sua biografia. A obra chegava-me! E senti mesmo bastante pena quando soube da sua morte…</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Individualidade</strong><br />
Há umas duas semanas atrás, perdi o amor a uns dinheiros e comprei  na Cupertino de Miranda, em Famalicão, a edição do Grande Prémio da EDP 2004 com a Assírio &amp; Alvim, intitulada simplesmente “Álvaro Lapa”. Três livros bastante bonitos em capa dura, embalados em cartão: “Textos”, “Paisagísticas” e Obras-com-Palavras”.  Recomenda-se! Andei meio que embriagado a percorrer os “Textos” &#8211; porque é essa a sensação que se tem, fica-se meio confuso, causa estranheza.<br />
Tinha um professor, na altura da minha demanda,  que foi aluno de Lapa no Porto. Quando lhe disse que andava a querer saber mais sobre as coisas que fez e fazia, o meu professor (também um admirador, creio) disse-me algo como isto: <em>&#8220;Ele era assim meio esquisito e as aulas dele também, sempre a escrevinhar e a ler de um bloquinho&#8221;</em>. Pois li do Álvaro Lapa que o próprio achava que os seus alunos pensavam mais ou menos isso. Lapa, que ensinou coisas como Estética, dizia que Kant era um «fantasma», que era «ilegível». Essa é exactamente a leitura que faço das obras e escritos de Lapa: a leitura de não as ler. Ou seja, o título que dei acima de Individualidade prende-se muito com isso. O artista é ilegível, com forte carácter de inefabilidade, o que faz com que não haja muito para escrever sobre ele. Ou se sente ou passa-se ao lado. No meu caso, senti-o, senti uma ligação à obra. Nunca vi um quadro ou desenho seu ao vivo, se calhar até porque ando ocupado com tantas outras coisas, mas chega-me a reprodução pura e dura. Não é técnica, nada disso! É vida e alma, amor e desamor… tudo muito, muito fundo…<br />
Posto isto, assim como todos nós arrumamos a nossa vida por sectores de entendimento pessoal, eu decidi recentemente arrumar o meu Lapa no mesmo sector dos outros meus grandiosos &#8211; e também eles sinónimo de individualidade – Herberto Helder e Leonard Cohen (apenas mais dois exemplos, mas dos melhores). Esta tripla de malandros consegue mandar-nos crescer, ter juízo e procurar a nossa voz interior. Exemplos perfeitos de pessoas que encontraram uma voz própria e extremamente atractiva a diletantes da representação da vida e dos lugares interiores.<br />
Não resisto, vou então só transcrever uma ou duas frases de entrevistas a Álvaro Lapa:<br />
A propósito de alguma literatura, uma daquelas frases que consegue partir tudo em mil pedaços e que chega mesmo a doer: <em>&#8220;Faziam parte da indústria cultural. Tanto como os a que se opunham. A contra-cultura era um negócio como a cultura.&#8221;</em><br />
A propósito da pintura (de salão): <em>&#8220;Aquela cor de caca, «fundo-caca». Não me interessava isso.&#8221; </em>- aqui ficava bem um “lol” daqueles bem extensos.<br />
(Poderia, também, citar Helder sobre os adolescentes e as estrelas, ou Cohen sobre as drogas e o ensino, mas não é directamente sobre eles este pequenito texto.)<br />
Ilegíveis e indizíveis, assim são os modos de Álvaro Lapa. Em suma, individualidade em expoente máximo. Fico feliz por este país ter tido uma personalidade como esta nas artes visuais.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Filipe Miranda<br />
2010</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/condutoralternativo.wordpress.com/176/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/condutoralternativo.wordpress.com/176/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/condutoralternativo.wordpress.com/176/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/condutoralternativo.wordpress.com/176/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/condutoralternativo.wordpress.com/176/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/condutoralternativo.wordpress.com/176/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/condutoralternativo.wordpress.com/176/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/condutoralternativo.wordpress.com/176/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/condutoralternativo.wordpress.com/176/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/condutoralternativo.wordpress.com/176/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/condutoralternativo.wordpress.com/176/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/condutoralternativo.wordpress.com/176/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/condutoralternativo.wordpress.com/176/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/condutoralternativo.wordpress.com/176/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=condutoralternativo.wordpress.com&amp;blog=5385873&amp;post=176&amp;subd=condutoralternativo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://condutoralternativo.wordpress.com/2010/05/15/7-alvaro-lapa-individualidade/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/153fde927b12b1ba4df5a70d02517219?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">admin</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://condutoralternativo.files.wordpress.com/2010/05/lapa.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">lapa</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>6. Rainer Maria Rilke / Da Arte</title>
		<link>http://condutoralternativo.wordpress.com/2009/12/25/6-raine-maria-rilke-da-arte/</link>
		<comments>http://condutoralternativo.wordpress.com/2009/12/25/6-raine-maria-rilke-da-arte/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 25 Dec 2009 23:15:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://condutoralternativo.wordpress.com/?p=162</guid>
		<description><![CDATA[Rainer Maria Rilke Hoje é dia de Natal. Entre as tradicionais prenditas que vamos recebendo, algumas são as que nos dizem mais. Este ano tive, como oferta, um conjunto de livros da Largebooks intitulado &#8220;Lições de Sabedoria do Poeta&#8221;. É um título um tanto ou quanto estranho &#8211; e até, diriam alguns, a puxar para [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=condutoralternativo.wordpress.com&amp;blog=5385873&amp;post=162&amp;subd=condutoralternativo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignnone size-full wp-image-161" title="rilke" src="http://condutoralternativo.files.wordpress.com/2009/12/rilke.jpg?w=500" alt=""   /><br />
</strong></p>
<p><strong>Rainer Maria Rilke</strong><br />
Hoje é dia de Natal. Entre as tradicionais prenditas que vamos recebendo, algumas são as que nos dizem mais. Este ano tive, como oferta, um conjunto de livros da Largebooks intitulado &#8220;Lições de Sabedoria do Poeta&#8221;. É um título um tanto ou quanto estranho &#8211; e até, diriam alguns, a puxar para a mania das grandezas -, mas não deixa de ser uma constatação, uma observação directa daquilo que estes três volumes são na realidade.<br />
Não conheço a obra de Rilke, embora há anos que me tenha sentido tentado a pegar num escrito do homem. Finalmente, moram cá por casa uma páginas dele para eu ir lendo nos próximos dias (como curiosidade, Rilke foi secretário de Auguste Rodin, facto que desconhecia e que achei bastante delicioso).<br />
<strong><br />
Da Arte<br />
</strong>Há momentos que sentimos serem importantes partilharmos. Neste caso, um pequeno texto de Rilke no capítulo &#8220;Da Arte&#8221;. Achei comoventes estas linhas, cheias de pureza e sinceridade; obviamente que são escritas por quem sabe escrever, por isso não são uma ordenação de palavras e frases quaisquer, são linhas de um escritor. E, embora me sinta tentado, não vou comentar o que foi para mim ler o texto que transcrevo abaixo. Deixo isso à sensibilidade de quem o possa ler&#8230;<br />
<em><br />
&#8220;(S)e toda a arte é religiosa no início, em todos os casos ainda é verdade que ela reconstitui em imagens o Deus há muito completo e esquecido de novo, pintando-o de uma lembrança ainda fresca. E artistas pios também podem ter preservado essa memória, como a mãe de uma criança que morreu dois ou três dias após o nascimento e para a qual a doçura da posse emocional se fundiu milagrosamente com a dor, criando uma sensação rara que parece abarcar todas as sensações do mundo.&#8221; &#8211; </em>R. M. Rilke</p>
<p><em>Filipe Miranda</em><br />
<em>2009</em></p>
<p><em> </em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/condutoralternativo.wordpress.com/162/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/condutoralternativo.wordpress.com/162/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/condutoralternativo.wordpress.com/162/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/condutoralternativo.wordpress.com/162/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/condutoralternativo.wordpress.com/162/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/condutoralternativo.wordpress.com/162/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/condutoralternativo.wordpress.com/162/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/condutoralternativo.wordpress.com/162/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/condutoralternativo.wordpress.com/162/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/condutoralternativo.wordpress.com/162/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/condutoralternativo.wordpress.com/162/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/condutoralternativo.wordpress.com/162/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/condutoralternativo.wordpress.com/162/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/condutoralternativo.wordpress.com/162/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=condutoralternativo.wordpress.com&amp;blog=5385873&amp;post=162&amp;subd=condutoralternativo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://condutoralternativo.wordpress.com/2009/12/25/6-raine-maria-rilke-da-arte/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/153fde927b12b1ba4df5a70d02517219?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">admin</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://condutoralternativo.files.wordpress.com/2009/12/rilke.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">rilke</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>5. Bauhaus / Marianne Brandt</title>
		<link>http://condutoralternativo.wordpress.com/2009/11/07/5-bauhaus-marianne-brandt/</link>
		<comments>http://condutoralternativo.wordpress.com/2009/11/07/5-bauhaus-marianne-brandt/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 07 Nov 2009 05:01:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://condutoralternativo.wordpress.com/?p=144</guid>
		<description><![CDATA[Bauhaus Seria impossível olhar o mundo ocidental tal como ele é &#8211; ou melhor, tal como o vemos – sem pensar na escola alemã Bauhaus. Um legado imenso deixado por grandes personalidades como Walter Gropious, Kandinsky, Paul Klee ou Johannes Itten, entre outros. Tudo nomes a ter muito em conta. Arquitectura, pintura, desenho, tecelagem, metal; [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=condutoralternativo.wordpress.com&amp;blog=5385873&amp;post=144&amp;subd=condutoralternativo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignnone size-full wp-image-159" title="mariannebrandt" src="http://condutoralternativo.files.wordpress.com/2009/11/mariannebrandt1.jpg?w=500" alt="mariannebrandt"   /><br />
</strong></p>
<p><strong>Bauhaus</strong><br />
Seria impossível olhar o mundo ocidental tal como ele é &#8211; ou melhor, tal como o vemos – sem pensar na escola alemã Bauhaus. Um legado imenso deixado por grandes personalidades como Walter Gropious, Kandinsky, Paul Klee ou Johannes Itten, entre outros. Tudo nomes a ter muito em conta. Arquitectura, pintura, desenho, tecelagem, metal; arte e artesanato, pensamento e ofício… E como falamos de uma escola, é inevitável falar sobre as escolas…</p>
<p><strong>Marianne Brandt<br />
</strong>Na minha adolescência – idade em que grande parte da nossa relação com o que nos envolve se constrói -, fotocopiei uma fotografia para usar numa aula da disciplina de Oficina de Artes. O objectivo era o de seleccionar uma imagem onde estivessem peças de metal, para estudar as reflexões nos objectos e o seu brilho. Um pequeno trabalho escolar. O que aconteceu foi o seguinte: fui incapaz de me separar dessa fotografia! Ficou durante anos pendurada na parede do meu quarto na casa dos meus pais; estranhamente, era quase como um vício possui-la, <em>como um papelito que consegue falar</em>. Essa imagem  &#8211; penso que fotografada por Lucia Moholy &#8211; continha três peças de um serviço de chá, em prata, desenhado por Marianne Brandt (que passou pela Bauhaus dos anos 20). Verei sempre a sua marca associada à originalidade, à frescura de um “pensamento novo” e tomarei sempre o desenho das suas linhas como importantes para a compreensão do que foi o alcance das ideias Bauhaus: o rosto do quotidiano do séc.20, ao mesmo tempo que a desafiar com propostas de carácter artístico, integrando-as nesse mesmo quotidiano. Mas atenção, nunca esqueçamos: artista-artesão-designer-etc. têm e deverão ter a sua voz própria. Sempre!<strong><br />
</strong>A agudez que nos é revelada nas peças de design de Brandt expõe, à vista imediata e desarmada, o conceito primordial das formas: o essencial. E é aqui que entramos numa matéria discordante. Alguns associam e enquadram essas formas na mera função do objecto. “Forma-função”, um capítulo presente nos programas de Artes Visuais que ensinamos nas nossas escolas é transmitido, por vezes, de forma algo redutora (existem também as condicionantes de tempo, de défice de atenção, indisciplina; mas este texto não serve para falar disso&#8230;). A coisa passa mais ou menos por aqui: “A função condiciona a forma e vejam este serviço de chá da Bauhaus. Tudo isto é a função a ditar e a subordinar a forma”. E fica-se por aqui. Esquece-se de falar na beleza da tal agudez de que falo quando exponho uma opinião sobre Brandt. Abordar a Bauhaus, exemplificando com obras de Marianne Brandt e ficar por aqui é o mesmo que espremer uma laranja e sair sumo de pêra. Em Brandt não vemos apenas função; vemos o depurar de linhas, a fruição estética do objecto, a reinterpretação de uma série de objectos; em suma, uma grande operação artística.<br />
Cada vez mais, certos pioneirismos de um certo design foram-se integrando na nossa memória visual colectiva. Tão presentes que, por vezes, até os esquecemos. No caso de Brandt, estas suas obras oficinais na Bauhaus já perderam – ou deveriam ter perdido &#8211; o mero estatuto de peças de design de utensílios e não deveriam ser usadas para servir o básico papel exemplificativo, qual bode expiatório da compreensão de escola de Gropius. Aqui deverá surgir, sem hesitações, o lado artístico extra função e extra design. Porque há obras que se descolam da fita e valem como forma… apenas forma (sem precisarmos mencionar a sua função prática).<em> Como um papelito que consegue falar</em>&#8230;</p>
<p><em>Filipe Miranda</em><br />
<em>2009</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/condutoralternativo.wordpress.com/144/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/condutoralternativo.wordpress.com/144/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/condutoralternativo.wordpress.com/144/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/condutoralternativo.wordpress.com/144/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/condutoralternativo.wordpress.com/144/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/condutoralternativo.wordpress.com/144/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/condutoralternativo.wordpress.com/144/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/condutoralternativo.wordpress.com/144/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/condutoralternativo.wordpress.com/144/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/condutoralternativo.wordpress.com/144/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/condutoralternativo.wordpress.com/144/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/condutoralternativo.wordpress.com/144/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/condutoralternativo.wordpress.com/144/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/condutoralternativo.wordpress.com/144/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=condutoralternativo.wordpress.com&amp;blog=5385873&amp;post=144&amp;subd=condutoralternativo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://condutoralternativo.wordpress.com/2009/11/07/5-bauhaus-marianne-brandt/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/153fde927b12b1ba4df5a70d02517219?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">admin</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://condutoralternativo.files.wordpress.com/2009/11/mariannebrandt1.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">mariannebrandt</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>4. Duchamp e Picasso / Humor</title>
		<link>http://condutoralternativo.wordpress.com/2009/10/21/4-duchamp-e-picasso-humor/</link>
		<comments>http://condutoralternativo.wordpress.com/2009/10/21/4-duchamp-e-picasso-humor/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 21 Oct 2009 04:01:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://condutoralternativo.wordpress.com/?p=133</guid>
		<description><![CDATA[Duchamp e Picasso Há dois artistas em particular – neste caso, dois dos “grandes” – aos quais associo a prática do humor: Duchamp e Picasso. Duchamp foi júri e concorrente, brincou (e criou) com grandes paradigmas e propostas que, entretanto se tornaram bandeira de muitos artistas que o seguiram; Picasso igualmente, e até de forma [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=condutoralternativo.wordpress.com&amp;blog=5385873&amp;post=133&amp;subd=condutoralternativo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<div>
<p><strong><img class="alignnone size-full wp-image-136" title="Duchamp_Picasso" src="http://condutoralternativo.files.wordpress.com/2009/10/duchamp_picasso.jpg?w=500" alt="Duchamp_Picasso"   /></strong></p>
<p><strong>Duchamp e Picasso</strong><br />
Há dois artistas em particular – neste caso, dois dos “grandes” – aos quais associo a prática do humor: Duchamp e Picasso. Duchamp foi júri e concorrente, brincou (e criou) com grandes paradigmas e propostas que, entretanto se tornaram bandeira de muitos artistas que o seguiram; Picasso igualmente, e até de forma muito mais divertida e leve que o primeiro.<br />
Duas pessoas que compreenderam a importância do humor na produção de pequenas e grandes obras.</p>
<p><strong>Humor<br />
</strong>O humor é crucial e fundamental, não só como instrumento de diversão pura como, também, de muleta de reflexão. E o humor ajuda-nos a fazer pequenas revisões acerca de como funciona a sociedade em que nos inserimos. O uso de máscaras utilizado na representação teatral – desde que o Homem é Homem – é também facilmente transposto para outros tipos de arte. As artes visuais mais duras não escapam, como é óbvio, a esse recurso.<br />
Duchamp disse que um dia o artista não iria produzir obra, bastaria apontar. Umas décadas depois pensamos em alguns dos happenings, performances, instalações, etc…, e vemos que está tudo lá. O urinol/fonte continua a ser famosíssimo, continua a ser objecto de estudo nas escolas, continua a fazer acontecer discussões e debates, estimula a produção de textos, faz rir e faz pensar.<br />
Com Picasso &#8211; e fiando-me em Brassaï -, há um episódio que me fascina: a sua mulher ficou sem o seu animal de estimação, um pequeno cão; Picasso, para recriar e fazer perpetuar essa presença na vida dela, divertia-se a furar com o charuto ou cigarro dois olhinhos num guardanapo de papel que amarrotava ao fim de cada refeição. “Aí tens o teu cão!”. E fez montes deles.<br />
Estes gestos improvisados foram-se repetindo nas exposições de artistas seguintes, alguns deles como sendo até o motor da sua expressão. Com os anos, houve gente a especializar-se neste género de produção. E tudo foi ficando mais denso e até mais obscuro e polémico – veja-se o caso de algumas obras de Warhol ou, mais recentemente, de Jeff Koons. As pequenas e magníficas banalidades criativas – ao alcance de qualquer um com um pouco de imaginação e posto em evidência por cabeças pensantes e sensíveis – tornou-se ainda mais comunitária e ponto de comunicação.<br />
Os artistas citados acima, no início do texto, tinham uma particularidade visionária que os distinguiu. Há que o reconhecer esta característica inerente aos dois. O humor – disso eles sabiam – é algo que irá acompanhar o Homem até ao fim dos tempos. E, provavelmente, Picasso ainda deve rir bastante na sua moradia na nuvem 327 de cada vez que um grande coleccionador gasta uma pequena fortuna para adquirir um dos &#8220;guardanapo/cão&#8221; &#8211; que ele magicava enquanto sorria para as suas mãos marotas, que ganharam sempre a corrida contra o cérebro.</p>
<p><em>Filipe Miranda<br />
2009</em></p>
<p><em> </em></p>
</div>
</div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/condutoralternativo.wordpress.com/133/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/condutoralternativo.wordpress.com/133/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/condutoralternativo.wordpress.com/133/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/condutoralternativo.wordpress.com/133/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/condutoralternativo.wordpress.com/133/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/condutoralternativo.wordpress.com/133/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/condutoralternativo.wordpress.com/133/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/condutoralternativo.wordpress.com/133/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/condutoralternativo.wordpress.com/133/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/condutoralternativo.wordpress.com/133/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/condutoralternativo.wordpress.com/133/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/condutoralternativo.wordpress.com/133/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/condutoralternativo.wordpress.com/133/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/condutoralternativo.wordpress.com/133/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=condutoralternativo.wordpress.com&amp;blog=5385873&amp;post=133&amp;subd=condutoralternativo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://condutoralternativo.wordpress.com/2009/10/21/4-duchamp-e-picasso-humor/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/153fde927b12b1ba4df5a70d02517219?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">admin</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://condutoralternativo.files.wordpress.com/2009/10/duchamp_picasso.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Duchamp_Picasso</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>3. Tate Modern / Olafur Eliasson</title>
		<link>http://condutoralternativo.wordpress.com/2009/10/21/3-tate-modern-olafur-eliasson/</link>
		<comments>http://condutoralternativo.wordpress.com/2009/10/21/3-tate-modern-olafur-eliasson/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 21 Oct 2009 03:57:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://condutoralternativo.wordpress.com/?p=131</guid>
		<description><![CDATA[Tate Modern O Tate Modern é um local esquisito. Passeamos pelas salas, orientados pelas sequências cronológicas e enquadramentos artísticos confusos e até forçados. E tudo porquê? Porque pegar em obras do séc.20 tão diferentes e dispersas, tentar fazer pequenos molhos e compartimentar semelhante dose de informação não é nada fácil. O século passado foi muito [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=condutoralternativo.wordpress.com&amp;blog=5385873&amp;post=131&amp;subd=condutoralternativo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<div>
<p><strong><img class="alignnone size-full wp-image-138" title="Tate_Olafur" src="http://condutoralternativo.files.wordpress.com/2009/10/tate_olafur.jpg?w=500" alt="Tate_Olafur"   /></p>
<p>Tate Modern</strong><br />
O Tate Modern é um local esquisito. Passeamos pelas salas, orientados pelas sequências cronológicas e enquadramentos artísticos confusos e até forçados. E tudo porquê? Porque pegar em obras do séc.20 tão diferentes e dispersas, tentar fazer pequenos molhos e compartimentar semelhante dose de informação não é nada fácil. O século passado foi muito rápido ao nível das artes visuais, tudo aconteceu depressa e freneticamente e, acima de tudo, é um século muito presente na nossa memória. Estivemos vivos, ainda éramos miúdos ou então já éramos velhos, não importa – ainda cá está, fresco.</p>
<p><strong>Olafur Eliasson</strong><br />
Eliasson é o autor de uma frase maravilhosa, extremamente bela, uma espécie de síntese de grande parte do seu trabalho: «Nós relacionamo-nos com o espaço, vemo-lo, andamos por cima dele ou intervimos nele e o espaço, dada a sua ideologia aberta, consegue mostrar-nos o que nós somos nele.»<br />
Em 2003, este artista apresentou no Turbine Hall do Tate Modern a instalação <em>The Weather Project</em>. Consistia num semi-círculo de lâmpadas de mono-frequência que, espelhadas no tecto, formavam um enorme sol interior. Muitos foram os visitantes que se estenderam pelo chão a contemplar este sol artificial, retirando prazer, reflexão, risos ou desagrado. Mas nunca indiferença, podemos quase afirmar com toda a certeza. É uma obra demasiado universal, apela às mais básicas fundações daquilo que faz um ser humano no seu papel na paisagem, espaço, mundo…<br />
No arquivo do site do museu diz algo como: «Este projecto está ligado ao fascínio de Eliasson com a forma como os museus fazem a mediação na recepção da arte. Num museu, os visitantes levam com muita informação sem ainda sequer terem visto uma obra de arte. (…) Eliasson reconhece que toda esta informação influencia a experiência e a compreensão do trabalho exposto.»<br />
Este bocado de texto é importante para percebermos a relação do artista com o espaço e a obra, assim como do público com o museu e a obra. Neste projecto, o artista saltou a fase onde encontramos toda essa pré-informação de cartazes e até mesmo o charme que pode – previamente – condicionar o público e fez uma abordagem directa e vivencial. Quis uma fruição da experiência da obra no sentido mais sensorial e menos compactada – ou rotulada, se quisermos pôr as coisas nestes termos.<br />
E é aqui que entra a importância do Tate Modern como uma mescla de emoções, o que o faz ser um espaço vivo. Não é por albergar obras de Picasso, Ernst, Warhol e outros artistas conhecidos do grande público, mas sim porque é confuso, esquisito, desordeiro e, acima de tudo, porque ainda está à procura de uma auto-definição. Felizmente, o museu ainda não se encontrou e revela, através de encomendas como o <em>The Weather Project</em>, que cumpre o seu objectivo como espaço de comunicação com as pessoas que o visitam. Assume, indiscutivelmente, duas funções: a de depósito/apresentação e a de actualidade/discussão. Por um lado, a História em revisão; por outro, a História em movimento.</p>
<p><em>Filipe Miranda<br />
2008</em></p>
<p><em> </em></p>
</div>
</div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/condutoralternativo.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/condutoralternativo.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/condutoralternativo.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/condutoralternativo.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/condutoralternativo.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/condutoralternativo.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/condutoralternativo.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/condutoralternativo.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/condutoralternativo.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/condutoralternativo.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/condutoralternativo.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/condutoralternativo.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/condutoralternativo.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/condutoralternativo.wordpress.com/131/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=condutoralternativo.wordpress.com&amp;blog=5385873&amp;post=131&amp;subd=condutoralternativo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://condutoralternativo.wordpress.com/2009/10/21/3-tate-modern-olafur-eliasson/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/153fde927b12b1ba4df5a70d02517219?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">admin</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://condutoralternativo.files.wordpress.com/2009/10/tate_olafur.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Tate_Olafur</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>2. Achille B. Oliva / Ingenuidade</title>
		<link>http://condutoralternativo.wordpress.com/2009/10/21/2-achille-bonito-oliva-ingenuidade/</link>
		<comments>http://condutoralternativo.wordpress.com/2009/10/21/2-achille-bonito-oliva-ingenuidade/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 21 Oct 2009 03:55:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://condutoralternativo.wordpress.com/?p=129</guid>
		<description><![CDATA[Achille Bonito Oliva Uma das figuras da crítica de arte que mais é passível de nos impressionar é, sem dúvida, Achille Bonito Oliva. Impressionam de tal maneira os seus escritos, que podemos sentir que somos mais influenciados pelo pensamento deste homem do que pela maior parte dos artistas que vamos conhecendo. A sua escrita é [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=condutoralternativo.wordpress.com&amp;blog=5385873&amp;post=129&amp;subd=condutoralternativo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<div>
<p><strong><img class="alignnone size-full wp-image-140" title="BonitoOliva" src="http://condutoralternativo.files.wordpress.com/2009/10/bonitooliva.jpg?w=500" alt="BonitoOliva"   /></p>
<p>Achille Bonito Oliva</strong><br />
Uma das figuras da crítica de arte que mais é passível de nos impressionar é, sem dúvida, Achille Bonito Oliva. Impressionam de tal maneira os seus escritos, que podemos sentir que somos mais influenciados pelo pensamento deste homem do que pela maior parte dos artistas que vamos conhecendo. A sua escrita é simples, fluída e extremamente clara. É daquelas pessoas que parece conseguir condensar em duas frases aquilo que a maior parte de nós não consegue dizer em dois anos. “Le arti della critica”…</p>
<p><strong> Ingenuidade<br />
</strong>Sem estar a dar exemplos das anedotas estruturalmente intrínsecas ao funcionamento do “mundo das artes em Portugal” – às mãos das quais o incauto criador se sujeita -, vou avançar para a palavra que me ocorre hoje, na sequência de um reencontro comigo mesmo: ingenuidade.<br />
Hoje descobri um texto que estava perdido aqui no computador. Fez-me reflectir um pouco sobre uma fase guerrilheira em que o escrevi. Afinal, descobrir que somos ingénuos e que a arte neste país é mais uma moeda de troca social do que propriamente uma fruição genuína não é exactamente sinónimo de satisfação. Mas, com o passar dos anos, pode tornar-se pertinente e mesmo divertido pensar o quão ingenuamente lá vamos arranjando força para lutar.<br />
Ao reler hoje este texto, sorri bastante e fiquei mesmo comovido. Gosto muito deste texto. Parece-me simbolizar uma descoberta pessoal; é decidido e enérgico. Foi o texto que escrevi para acompanhar umas obras que fiz para uma pomposa bienal das artes. Vou colar aqui um excerto.</p>
<p><em>Felizmente, deixaram de existir os centros artísticos que congregavam à sua volta todo o poder de apropriação das artes. Este tem que ser um período de grande liberdade para os pintores. Segundo o italiano Bonito Oliva, grande difusor da Transvanguarda dos anos 80 houve, nessa altura, uma forte ruptura com a tradição da “linguagem darwinista” na arte. Surgiu em força o poder do indivíduo, do ser ecléctico, muito importante na criação. O “mundo da arte” ficou confuso com este retorno à pintura pura, à manualidade e ao gozo da experimentação. Os artistas não. A pintura nunca morreu, apenas se perdeu no perigoso jogo teórico das vanguardas.<br />
Agora, em pleno séc.XXI, é preciso dizer que não deveriam existir mais os ditadores das artes, porque os artistas são livres, existem mesmo fora dos mercados, das máquinas, dos interesses. Por possuírem um carácter indomável (os teóricos “satélite” não têm na mão as patentes das suas ideias), vemos ainda muitos artistas serem empurrados para um segundo plano, sendo-lhes negado o veículo de contacto com o público, que reside nas grandes mostras públicas de galerias ou eventos. Alguns círculos artísticos consagrados, ainda com grande poder decisivo, continuam a formar muitos agentes reprodutores dessa tal teoria evolucionista de que falava Bonito Oliva. Estes, escudando-se unicamente com a sua “legitimidade” académica, criam e promovem obras e artistas apenas para um “consumo interno” rentável, não arriscando algo mais livre e não privilegiando a arte como a poderosa amplificação estética de mensagens e ideias que realmente é. Há muita gente que espera chegar ao público através do trabalho desenvolvido e que aguarda pelo dia em que as mostras de arte tomem atenção a novas propostas sem os preconceitos elitistas do antigamente que, tristemente, ainda se fazem valer.<br />
Não quero parecer dogmático nem deixar transparecer uma imagem trágica de fatalidade do academismo no séc.XXI, até porque quem cria já nem deveria pensar muito nesses termos de “academismo versus criatividade”. Com um renovado espírito crítico, tudo isto serão questões do passado, não do novo século. Temos que ser eclécticos, de facto, e cumprir o nosso plano individual, enquanto artistas.</em></p>
<p><em>Filipe Miranda<br />
2008</em></p>
<p><em> </em></p>
</div>
</div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/condutoralternativo.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/condutoralternativo.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/condutoralternativo.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/condutoralternativo.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/condutoralternativo.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/condutoralternativo.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/condutoralternativo.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/condutoralternativo.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/condutoralternativo.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/condutoralternativo.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/condutoralternativo.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/condutoralternativo.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/condutoralternativo.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/condutoralternativo.wordpress.com/129/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=condutoralternativo.wordpress.com&amp;blog=5385873&amp;post=129&amp;subd=condutoralternativo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://condutoralternativo.wordpress.com/2009/10/21/2-achille-bonito-oliva-ingenuidade/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/153fde927b12b1ba4df5a70d02517219?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">admin</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://condutoralternativo.files.wordpress.com/2009/10/bonitooliva.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">BonitoOliva</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>1. Taschen / The Book of Olga</title>
		<link>http://condutoralternativo.wordpress.com/2009/10/21/1-taschen-the-book-of-olga/</link>
		<comments>http://condutoralternativo.wordpress.com/2009/10/21/1-taschen-the-book-of-olga/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 21 Oct 2009 03:52:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://condutoralternativo.wordpress.com/?p=126</guid>
		<description><![CDATA[Taschen Recebi esta semana o novo catálogo da Taschen. Sei que há muita gente, muito artista, que diminui o papel da editora dizendo serem “livrinhos de hipermercado”. Pois… mas esse tipo de perspectiva pseudo-intelectual e pseudo-artística é como um castelo de cartas. Basta abanar a mesa que cai tudo. Estas modas de pensar as coisas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=condutoralternativo.wordpress.com&amp;blog=5385873&amp;post=126&amp;subd=condutoralternativo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<div>
<div>
<p><strong><img class="alignnone size-full wp-image-142" title="Rheims_BookOfOlga" src="http://condutoralternativo.files.wordpress.com/2009/10/taschen_bookofolga.jpg?w=500" alt="Rheims_BookOfOlga"   /></strong></p>
<p><strong>Taschen</strong><br />
Recebi esta semana o novo catálogo da Taschen. Sei que há muita gente, muito artista, que diminui o papel da editora dizendo serem “livrinhos de hipermercado”. Pois… mas esse tipo de perspectiva pseudo-intelectual e pseudo-artística é como um castelo de cartas. Basta abanar a mesa que cai tudo. Estas modas de pensar as coisas no grupo restrito de pares são muito perigosas e, infelizmente, têm sempre muitos adeptos nas nossas belíssimas “elites pensantes da arte” dos chamados “grandes centros urbanos”. Sou um comprador da edições da Taschen, com muito gosto. Agrada-me a ideia de ir ao supermercado buscar um pack de minis e, enquanto espero para pagar, decido comprar um livro do Gaudí ou do Bacon que está exposto junto dos pacotes Trident e dos Durex. Somos consumistas? Então a arte também. Isto, meus amigos, é saúde; é a arte a entrar nas nossas vidas de uma forma natural, sem peneirices, a fazer parte daquilo que somos. É a arte a cumprir-se!</p>
<p><strong> The Book of Olga</strong><br />
Sempre que manuseio um catálogo, seja ele de que espécie for, eu tenho o vício de abrir ao calhas. Neste caso específico, o acaso bateu nas páginas 62-63, com duas fotografias poderosas: à esquerda, a preto e branco, duas mulheres abraçadas em frente a um espelho; à direita, a cores, uma dessas mulheres, deitada numa cama, a escrever com uma pena no seu próprio corpo. E nos cantinhos acima, a misteriosa filinha de letras: “The Book of Olga”.<br />
O conceito deste livro parece-me bastante interessante. Levanta aqui questões curiosas. O cenário é este: um homem financeiramente poderoso da alta russa contrata a fotógrafa Bettina Rheims para fazer uns “retratos especiais” da sua mulher Olga Rodionova. Com retratos especiais é o mesmo que dizer fotografia do corpo: nudez. A coisa foi evoluindo para várias sessões (temáticas e décors onda sado-masoquista ou Maria Antonieta), o senhor ficou muito satisfeito e sugeriu fazer um livro com fotos da esposa. O prefácio saiu das mãos de Catherine Millet.<br />
Diz no catálogo algo que, traduzido, é parecido com isto: «…um russo apresenta a sua mulher ao mundo (…) este livro único é, ao mesmo tempo, uma canção de amor e uma declaração artística».  E mais à frente, numa caixa: «As fotografias foram encomendadas por um marido orgulhoso da beleza da sua mulher e que adora ter grandes fotógrafos a capturá-la e a exibi-la ao mundo». Poderemos nunca perceber esta mania ou atitude, mas o certo é que o resultado é intrigante: um livro que explora a beleza de uma mulher – segundo as nossas concepções actuais de beleza -, inserindo-a numa grande teia de interesses sexuais, românticos, artísticos, etc. Hedonismo e desprendimento face a um corpo nu, igual a tantos que vemos diária e banalmente em todo o lado, mas que não deixa de nos surpreender. E surpreende pelo excesso, pela generosidade de Olga em entregar-se à objectiva.<br />
Tudo isto faz-nos pensar em limites: será a intenção principal o lucro financeiro? Será simplesmente uma vaidade descontrolada de um homem que julga ser dono de uma mulher que causa inveja aos amigos e assim a exibe como um carro desportivo? Será um amor inexplicável? Será uma grandiosa obra de arte? Será loucura? Será uma ausência de códigos sociais de convenção?<br />
Todas estas questões – entre muitas outras que me ocorrem agora – fazem-me pensar isto: estamos perante um depoimento artístico, sem dúvida. O porquê não o sei explicar. Só sei que me comove saber que, de vez em quando, aparecem preciosidades destas para nos obrigar a pensar a arte. Porque o truque é este: mais interessante do que o aprisionar a arte num objecto eventualmente acabado, é pensá-la.</p>
<p><em>Filipe Miranda<br />
2008</em></p>
<p><em> </em></p>
</div>
</div>
</div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/condutoralternativo.wordpress.com/126/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/condutoralternativo.wordpress.com/126/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/condutoralternativo.wordpress.com/126/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/condutoralternativo.wordpress.com/126/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/condutoralternativo.wordpress.com/126/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/condutoralternativo.wordpress.com/126/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/condutoralternativo.wordpress.com/126/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/condutoralternativo.wordpress.com/126/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/condutoralternativo.wordpress.com/126/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/condutoralternativo.wordpress.com/126/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/condutoralternativo.wordpress.com/126/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/condutoralternativo.wordpress.com/126/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/condutoralternativo.wordpress.com/126/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/condutoralternativo.wordpress.com/126/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=condutoralternativo.wordpress.com&amp;blog=5385873&amp;post=126&amp;subd=condutoralternativo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://condutoralternativo.wordpress.com/2009/10/21/1-taschen-the-book-of-olga/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/153fde927b12b1ba4df5a70d02517219?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">admin</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://condutoralternativo.files.wordpress.com/2009/10/taschen_bookofolga.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Rheims_BookOfOlga</media:title>
		</media:content>
	</item>
	</channel>
</rss>
